Garfo & Mala na Cozinha: Preparando Chalá – Receita Askenazi – Culinária Judaica

A cultura judaica é marcada por comemorações, rituais e por sua diversificada culinária. Os judeus, através de sua história, sempre moraram em diferentes países no mundo e, com isso, foram criadas divisões dentro da própria cultura do povo. A partir disso, a gastronomia judaica se divide entre os Askenazi e os Sefaradi.

O termo Askenazi, em hebraico medieval, significa Alemanha se referindo, originalmente, aos judeus vindos daquele país. Porém, ao longo do tempo, a expressão foi abrangendo aqueles nascidos no centro e no leste da Europa. Ele ainda engloba os judeus da Áustria, Hungria, Polônia e de grande parte da Rússia. Na gastronomia, os Askenazis são conhecidos por utilizar menos temperos em suas comidas. Cebolas caramelizadas são a base para o preparo de pratos como frango, kiguels (uma torta de macarrão) e varenikes (massa recheada). Alho e ervas, como salsinha e louro, são bastante usados também.  Um condimento importante é a raiz forte para fazer o chrein, um molho de beterrabas, que acompanha o guefilte fish, um bolinho de peixe. Os pães famosos são a chala, bagels e o pão preto. A semente da papoula e o kümel são usado para dar sabor aos pães. Os judeus Askenazis são conhecidos por excelentes sobremesas, com bastante canela, como por exemplo, o bolo de mel, o bolo de maçã, o strudel, as tortas e os blintzes, uma espécie de panquecas.

Sefaradi significa Espanha, em hebraico. No entanto, após 1492, com a Inquisição, o termo passou a denominar os judeus que foram expulsos do país e acabaram se espalhando desde o Mediterrâneo até a Índia. Alguns, inclusive, viajaram para a Holanda. Na culinária deste povo, os temperos são bem mais utilizados. O alho e o limão são sabores muito populares, e o azeite de oliva é a gordura de preferência. Cominho, pimenta e canela são usados para temperar a carne e o frango. O gergelim é um condimento importante não só para dar sabor aos pães, mas também para fazer tahine – pasta feita com a semente. Pita é o pão preferido, e o grão mais utilizado é o arroz. Alguns feijões como fava, lentilha e o grão-de-bico estão presentes nesta culinária. Azeitonas são o aperitivo favorito, e as sobremesas não são tão importantes na comida Sefaradi. Para terminar a refeição, geralmente, são servidas frutas e nozes.

Mesmo que cada cultura tenha suas características e peculiaridades, hoje, muitas famílias se uniram através do casamento entre Askenazis e Sefaradis. Além disso, existe uma grande influência das diferentes áreas do mundo onde os judeus moram. Desta forma, mesmo com as divisões geográficas, a culinária judaica acabou sendo adaptada ao longo dos anos. Por exemplo, o guefilte fish preparado na Polônia é diferente e mais doce do que o da Rússia, mesmo que em ambos os país predomine a cultura Sefaradi. É uma fusão multicultural que se cria naturalmente. Hoje, é muito comum misturar as receitas e adaptá-las a todos os gostos.

Para que o público conheça um pouco mais não somente da culinária, mas da cultura judaica em geral, a Na’amat – grupo de mulheres judaicas que buscam valorização feminina através de trabalho voluntário- irá realizar o tradicional bazar beneficente, agora em sua 58ª edição, no dia 27 de agosto. Neste ano, o evento será realizado na Associação Leopoldina Juvenil, proporcionando melhor estrutura e conforto aos visitantes. O bazar contará com diversos expositores de artigos de Israel, artigos de cozinha, livros usados, bijuterias, artesanato e vestuário. Além disso, os visitantes poderão degustar de comidas típicas judaicas e apreciar shows musicais, apresentações de danças tradicionais, jazz e ballet.

Mais informações sobre o grupo no site: www.naamat.org.br

 

Receita:

– 1pacote de fermento para pão

– 2 colheres (chá) de açúcar

– 1 ¼ de xícara de água morna

– 4 ½ xícaras de farinha de trigo peneirada

– 2 colheres de (chá)  de sal

– 2 ovos batidos

– 2 colheres (sopa) de óleo

– 4 colheres (sopa) de semente de gergelim ou passas de uva se preferir

– Gema para pincelar

 

Modo de fazer:

Misture os dois primeiros ingredientes com ½ xícara de água morna e deixe crescer. À parte, misture a farinha com o sal. Faça uma depressão no meio, colocando aí os ovos, o óleo e o restante da água morna. Misture bem, juntando o fermento, e, após, amasse tudo sobre uma superfície polvilhada com farinha, até que a massa fique lisa e elástica.

Coloque-a numa vasilha, pincelando-a parte de cima com um pouco de óleo, cubra com um pano, deixando-a descansar, em lugar protegido, até dobrar o tamanho. Divida a massa em três rolos iguais e faça uma trança. Pincele com uma gema e pulverize com a semente de gergelim, colocando-a numa assadeira untada e enfarinhada. Deixe o pão crescer, em lugar protegido, até aumentar. Asse em forno quente, pré- aquecido, diminuindo o fogo depois.

Ficou gostoso? 😀