Cartagena e San Andres

Viajar para a Colômbia parecia um tanto insólito no primeiro momento em que decidimos conhecer Cartagena, San Andres e seus arredores. Por incrível que possa parecer, descobri nosso futuro destino em uma tatuagem, nas costas de um homem, vasculhando fotos pelo Google. Logo após foi só começar a planejar.

Não foi paixão a primeira vista pois muitos tem preconceito quanto a conhecer a América do Sul e suas belezas, tanto pela segurança, quanto pelos serviços oferecidos frente aos europeus já conhecidos. Porém desde o início (no aeroporto no Panamá) tivemos excelência no atendimento e também na viagem até a conexão pela Copa Airlines. Ainda que tenham havido trocas nos horários dos vôos por mais de duas vezes antes do primeiro embarque, a qualidade do serviço e as aeronaves oferecidas acabam por fazer esquecer algum percalço.

Na chegada a “Cartagena de Las Indias” temos a rápida, e não menos burocrática que outras: alfândega. Contratamos um translado, ainda em Porto Alegre pois lemos muito sobre taxistas mal intencionados na chegada a cidade, mas essa impressão também se vai logo: o único taxi que pegamos então para chegar até o centro histórico mais adiante foi rápido e o taxista simpático. Valor da corrida? Seis mil pesos colombianos, o equivalente a menos de um dólar!

Ficamos hospedados no Hampton by Hilton em Bocagrande, um bairro movimentadíssimo com tudo que se precisa desde casas de câmbio, farmácias e supermercados. Considerado nobre por alguns, mas em nossa visão, nada de absurdo nem tão elitizado. Educação e ruas limpas não precisam ser privilégio de ninguém e sim obrigações de uma cidade turística. O hotel dispensa comentários: basta entrar em qualquer site de avaliação de hospedagem (como o Tripadvisor) para perceber que mantém a impressão que tivemos até aqui, com excelentes acomodações, simpatia e prestatividade de atendimento e organização total.

No primeiro dia propriamente dito, fomos caminhar para conhecer o centro histórico e a então comentada e obrigatória Ciudad Amurallada, construção antiguíssima feita ainda pelos espanhóis para impedir as invasões piratas. Lá se encontram os principais pontos históricos onde conhecemos o Museu da Inquisição, algumas praças e a Catedral. Ainda devemos voltar para souvenirs e conhecer mais  profundamente tão comentado e movimentado ponto turístico. Por falar em souverires: SEMPRE, eu disse SEMPRE negocie valores de ambulantes. PECHINCHE e as vezes até dê as costas e faça que vai embora, pois como a moeda é pouco conhecida não temos um valor correto como referência e em alguns ítens (chapéus, pedras, colares, artesanatos, etc) consegue-se até mais de cinquenta porcento de desconto.

panoramica-na-ciudad-amurallada

No dia seguinte resolvemos conhecer a praia do bairro de Bocagrande. Na verdade não há muita diferença em relação ao assédio que temos nas beira do mar brasileiro, com ambilantes de todos os tipos e vendendo os mais variados apetrechos, desde alimentação até massagens para os pés. Pergunte o preço de TUDO antes de aceitar qualquer “regalo”. Nada, mas NADA mesmo é de graça. E aqui a regra segue a mesma: negocie sempre os preços. Nunca deixe nenhum dinheiro a mostra, ou deixe entenderem que tens mais contigo. Não pelo perigo de furto ou roubo, mas sabendo que o turista tem dinheiro para gastar, do nada aparecerão dezenas de vendedores ao mesmo tempo… e a brincadeira pode ficar séria. Evite consumir perecíveis na beira do mar: nunca se sabe a procedência dos alimentos.

No próximo dia fomos a famosa Playa Blanca! Realmente um passeio que não se deve deixar de fazer. O custo sai em torno de 50.000 pesos pois pode variar de acordo com quem se compra o pacote. O preço oficial é de 45.000 pesos por adulto (mas dificilmente se consegue este valor) e vale mais a pena procurar uma operadora de confiança ou por indicação do próprio hotel: ali se fazem grupos com responsabilidades e pessoas com objetivos comuns de lazer. A saída é cedo, por volta das 7:30h e o retorno fica em torno das 15h, que parece pouco mas é tempo mais do que suficiente. Existe duas formas de chegar a Playa Blanca: marítima ou terrestre. A marítima é a mais conhecida pois a praia fica em uma ilha e o único meio de transporte até dois anos atrás eram lanchas pequenas e velozes, porém extremamente desconfortáveis (típico para aventureiros, ajnda que seja comum pessoas de idade contratarem os serviços). Nos últimos dois anos foi construída uma pequena e segura ponte, onde o acesso é precário lembrando nossas estradas de chão batido nos interiores dos estados, trajeto que leva entre uma hora e meia e duas horas.

playa-blanca-cartagena

No meio do caminho existe uma parada em um mini-mercado para quem quiser abastecer (bebidas, guloseimas, gelo, etc). Não se envergonhe ou encabule em descer e pegar o que for necessário, pois mais adiante poderá ser útil. Após o tortuoso caminho de ônibus, uma caminhada de aproximadamente cinco minutos, onde vemos a pobreza do povo local que vive do turismo e da região árida, sem água encanada ou saneamento básico. A realidade bate a sua porta. Chegando a praia tem-se a visão desejada: o mar verde com água quente e quase transparente. Um quase paraíso. Como já disse uma vez o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira: a Terra é uma beleza, o que estraga é essa gente! A praia tem assim como na Bocagrande, a especie de flanelinhas que alugam cadeiras e quiosques enjambrados na beira-mar e que fazem de tudo para agradar: lógico que por alguns módicos trocados. Mas a experiência de Playa Blanca está aprovadíssima. Pode marcar um “x” no quesito obrigatório.

Voltando a terra firme: shoppings. Não use essa expressão caso for pedir alguma informação pois acredito que apenas no Brasil é que chamamos os supercentros de compras assim. Refira-se a “Mall”. Fomos a três deles, sendo dois na Bocagrande e um maior próximo ao Forte San Fellipe. Nenhuma novidade. Apenas vá “perder” seu tempo conhecendo somente se houver necessidade, pois os nossos são centenas de vezes maiores e com mais lojas.

Um passeio que vale muito a pena é pegar uma espécie de “jardineira” que corre a cidade pelos principais pontos turísticos. A saída é em frente a uma praça em frente a torre do relógio (Clock Tower, facílima de encontrar na Amurallada). O custo é de 45.000 pesos, que fica bem barato quando se começa a andar as mais de quatro horas, acompanhados de guias poliglotas muito prestativos. O passeio inclui todas as praias que circundam Cartagena, o Convento La Popa e o sensacional Castelo de San Fellipe, onde grande batalhas se travaram pela escravidão (e pelo fim dela) e também ficavam os presos políticos.

Rumo a Ilha de San Andrés: na saída do aeroporto de Cartagena existe a cobrança de uma taxa de cinquenta mil pesos (aproximadamente R$ 55,00) de entrada em ambiente de reserva ambiental (semelhante a Fernando de Noronha). O pagamento é feito na hora mesmo. Mantenha este recibo pois ele é requisitado no desembarque e pode ser também solicitado a qualquer momento pela polícia. Falando em polícia: as viaturas de policiamento são carrinhos de golf, ou ainda motos de 100 cilindradas (até porque não há como fugir da ilha tão facilmente se não for via aéreo ou marítimo).

Ficamos hospedados da “Hosteria Mar & Sol” que fica a sete quilômetros do centro da cidade (vide Tripadvisor). Algumas peculiaridades: não há água quente. Pensamos que fosse uma exclusividade, mas não. Conversando com outros turistas hospedados em outros locais, vê-se que apenas quatro hotéis em toda ilha tem caldeira, porém a um custo inimáginável! Como existe esta distância até o centro da cidade, a hosteria disponibiliza um micro-onibus que sai todas as manhãs as nove e retorna a noite as sete: uma mão na roda para quem quer realmente descanso e estar longe de tudo e todos. Há vantagens e desvantagens nesse ponto pois as vezes pode-se ficar a mercê dos serviços mais práticos e acabar pagando mais caro por eles. Ex.: um taxi até o centro custa 30.000 pesos. Se precisar ir e voltar com este meio, a coisa pode ficar cara.

A ilha é cheia de surpresas e de fatos curiosos incomuns para visitantes: a perfumaria é muito barata! Oque andamos centenas de quilômetros para comprarmos em “freeshops” nas fronteiras brasileiras, San Andrés nos oferece em cada esquina sem mistério: cuidado com os genéricos que ainda que bons e baratos, nada tem a ver com os olores originais. Quando em compras cuide os horários pois o comércio abre muito cedo e fecha ao meio-dia abrindo somente as três da tarde, inclusive restaurantes! Interessantes também são os carros que ora são emplacados, ora não (sinceramente não consegui entender o critério). Os táxis não são identificados pela cor e sim apenas por uma inscrição ao lado: “Servicio Publico”. Os carros não possuem taxímetros, portanto negocie os valores antes de entrar. E não se espante se ver Dodges-taxi, Mustang-taxi e até Landau-taxis!!!

Johnny Cay
Johnny Cay

Passeios: San Andres é uma ilha cheia de opções tanto para natureza quanto para as selvas de pedra, porém pela quantidade programe-se! Ou não conseguirá fazer quase nada! Parece contraditório mas a melhor coisa é fazer um cronograma para não deixar de fazer nada. Os passeios obrigatórios: Cayo Bolívar e Johnny Cay (Acuário).

Aprecie!
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*Crédito das imagens: Daniel Arrieche